terça, 25 julho 2017 21:34

CHRIS FROOME A UMA VITÓRIA DO QUARTETO RECORDISTA Destaque

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O britânico Chris Froome voltou a subir este domingo ao lugar mais alto do pódio no final de mais uma Volta a França, conquistando pela quarta vez a prova, numa 104.ª edição em que voltou a dominar.



Apesar de ter andado a maior parte da prova com poucos segundos de vantagem para a concorrência - chegou mesmo a perder a camisola amarela -, o 'queniano branco' não teve nesta edição a sua prestação mais exuberante, mas nunca sentiu verdadeira oposição por parte dos seus mais diretos adversários.

A história do vencedor da 104.ª edição da 'Grande Boucle' começa a contar-se ainda no Quénia, onde nasceu em 20 de abril de 1985 e onde viveu parte da sua vida. 

O ar rarefeito, a altitude de Nairobi e os campos de treino do seu mentor, David Kinjah, parecem ter ajudado na sua evolução como atleta, embora os seus resultados nessa altura fossem modestos.

A mudança para a África do Sul, aos 14 anos, apresentou-lhe outros desportos, que o fizeram perceber que o ciclismo de estrada era a sua paixão, um encanto que assumiu ao tornar-se profissional aos 22 anos. 

Debaixo do seu temperamento tranquilo, escondia-se o desejo de correr mais e melhor, de testar os seus limites e as suas qualidades, uma ânsia que o levou a chocar com um comissário no início do contrarrelógio dos Mundiais sub-23 de 2006.

A queda naquele que era o seu primeiro grande momento na Europa, a verdadeira terra prometida do ciclismo, revelou as suas falhas técnicas, mas garantiu-lhe uma oportunidade na equipa de desenvolvimento da União Ciclista Internacional (UCI) e um contrato com a equipa sul-africana Konica Minolta.

Uma vitória na Volta ao Japão, as raízes africanas e uma palavra amiga do sul-africano Robert Hunter valeram-lhe, um ano depois, um contrato com a Barloworld, que tinha o orgulho de reunir várias nacionalidades no seu 'pelotão' particular, incluindo a portuguesa, na pele de Hugo Sabido.

Embora o salário fosse baixo e a competição exigente, Froome tinha, finalmente, conseguido o seu passaporte para o ciclismo europeu, reforçado com uma licença britânica, concedida pelas origens do seu pai e avós, depois de um aceso processo com a federação queniana, e com um lugar nos nove escolhidos para disputar o Tour.

Na estreia na prova francesa foi 84.º, na Volta a Itália do ano seguinte terminou em 36.º, sendo o sétimo na classificação da juventude. Os resultados impressionaram a Sky, que o contratou em setembro de 2009.

O seu primeiro ano na equipa britânica foi bastante discreto e incluiu uma desclassificação na Volta a Itália, por ter feito parte da 19.ª etapa agarrado a uma mota. Mas, em 2011, o seu progresso foi evidente: depois de ser 'top 20' em provas como a Volta à Romandia ou a Volta a Castela e Leão, foi escolhido para ser o gregário de Bradley Wiggins nas montanhas da Volta a Espanha.

Rapidamente o trabalhador passou a algo mais, quando, no contrarrelógio, vestiu a camisola de líder e, nas montanhas, mostrou estar melhor do que o seu chefe de fila, terminando no segundo lugar da prova espanhola, naquele que era então o melhor resultado de um britânico numa grande Volta desde 1985.

Depois da 'Vuelta', mereceu novo contrato de três anos com a Sky, que o apoiou no anúncio de que sofria de bilhárzia, uma doença tropical parasitária que destrói os glóbulos vermelhos, que lhe foi diagnosticada em 2010, mas que não tem cura.

A doença afetou a primeira parte da época de 2012, mas, na primavera, o britânico de Nairobi estava preparado para escoltar Wiggins no Tour. Na primeira etapa, perdeu tempo numa queda, mas, nas montanhas, revelou-se superior ao seu chefe de fila, criando uma polémica que alimentou a imprensa e que envolveu as mulheres dos dois corredores.

Mais do que as capacidades reais na estrada, prevaleceu a vontade da Sky, que ordenou a Froome que esperasse por Wiggins quando este desfaleceu na 17.ª etapa, escolhendo aquele que viria a ser campeão olímpico em Londres2012 para vestir a amarela. Desde esse dia, a relação entre os dois não voltou a ser a mesma, com Froome a ambicionar mais do que o segundo lugar de 2012, um resultado que chegaria um ano depois, na 100.ª edição.

A equipa britânica percebeu que era 'Froomey' o seu futuro e elegeu-o para ser o seu homem 'Tour'. O ano de 2014 adivinhava-se risonho para o britânico, mas uma queda atirou-o para fora da corrida e roubou-lhe a hipótese de defender o seu título. 

A tentativa de redenção chegou na 'Vuelta', no entanto, o adiado duelo com Alberto Contador foi favorável ao espanhol. Pragmático, estabeleceu que 2015 seria de novo o seu ano, o do regresso ao lugar mais alto dos Campos Elísios e nada o demoveu.

Mesmo contra gestos ofensivos do público - foi atingido por urina, cuspidelas e apupado na subida ao Alpe D'Huez - e constantes suspeitas sobre o seu rendimento público, Froome venceu a Volta a França, então com a oposição do colombiano Nairo Quintana.

Em 2016, apoiado por uma fortíssima Sky, Froome foi sempre o mais forte do 'Tour' e nem duas quedas, uma das quais acabou por correr montanha acima, enquanto esperava uma bicicleta de substituição, colocaram em causa o seu triunfo.

Este ano, Froome apenas por duas vezes sentiu-se mais 'apertado', sendo que na primeira terá tido um dia menos bom na montanha e viu o seu companheiro de equipa espanol Mikel Landa atacar no final de uma subida, não esperando pelo seu líder, enquanto na segunda, devido a um problema mecânico, recuperou na subida e, na parte final, foi ajudado por Landa a recuperar para o grupo dos favoritos, dando por encerradas nesse dia as poucas dúvidas de que voltaria a vencer a prova.

E, com este quarto triunfo, Froome fica a apenas uma vitória dos recordistas Jacques Anquetil, Eddy Merckx, Bernard Hinault e Miguel Indurain - este quarteto venceu cinco vezes o Tour e 'recuperou' o recorde depois de o norte-americano Lance Armstrong ter ficado sem os seus sete triunfos devido a doping.

 

Autor: Lusa

Ler 121 vezes Modificado em terça, 25 julho 2017 21:37

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